Nonsense consensual em forma de blogue.
Criado no dia 22 de Abril de 2012.

A Narrativa do Embuste

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«Não tenho nenhum plano para regressar à vida política activa. Este não é o meu desejo»
Ó Zé, muito honestamente, achas que alguém acredita nisso? Ao menos diz que, presentemente, não pensas em regressar. É, de igual modo, mentira, mas não ficas tão mal na fotografia.

«Há quatro ex-líderes do PSD a fazer comentário político. Assim que um ex-líder do PS recebe um convite as pessoas dizem que não pode»
Mais uma mentirola, Zé Sousa. Podemos começar pelo Mário Soares que até teve honras de programa próprio, continuar pelo António Vitorino e o seu Notas Soltas, passando pelo Francisco Assis e mais alguns que nem sequer me lembro. Relembro-te, Zé, que foi o teu partido o primeiro a reclamar quando o Marcelo rebelo de Sousa enveredou pela carreira de comentador. “"Durante largos minutos, o dr. Marcelo Rebelo de Sousa permitiu-se interpretar e fazer juízos de valor e de intenções sobre o carácter e as motivações do secretário-geral do PS, denegrindo o seu bom nome e reputação”, disse o secretariado geral do PS. Ainda bem, Zé, que tu não denegriste o nome de ninguém.


«Esta é a narrativa que a direita apresentou ao país»
Não é a direita, pá. É história. 1977, 1983 e agora: três intervenções do FMI em Portugal e todas em governos socialistas. Mário Soares no I Governo Constitucional e no IX Governo Constitucional e tu, estimado , Zé, no XVIII Governo Constitucional. É uma narrativa, de facto, mas tu, caro Alexandre Herculano dos tempos modernos, preferes ficar-te pelas lendas em detrimento das narrativas.

«A atitude do PS deixou que os meus opositores me atacassem»
Nem para os teus és bom, Zé Sousa. Já estás a fazer a caminha ao Seguro? Vê lá se, afinal, não derrapaste para o PSD como o Freitas derrapou para o teu antigo partido.

«Espero que a RTP confirme que fui convidado. Não fui eu que me convidei»
Sim, nós sabemos que agora tens um emprego na Octapharma. Só tenho pena de não terem falado sobre isso. Não se enquadrava na fotografia do coitadinho, não é?

«O chumbo do PEC IV criou uma crise política e conduziu Portugal à ajuda externa. Eu tinha uma solução que foi chumbada aqui em Portugal.»
Só é pena e´que, tanto o por Paulo Ferreira como o Vítor Gonçalves, te tenham perguntado mais de três vezes qual era essa solução e não tenhas respondido. Olha, eu também tenho uma solução, queres saber qual é? Não digo.

«No memorando não estava previsto nem o corte no 13º mês, nem corte no subsídio de férias, nem o aumento do IVA na restauração, nem o aumento para a taxa máxima na electricidade»
Mais uma vez, a bem dizer mais três vezes, o Paulo Ferreira tentou explicar-te a diferença entre medidas e metas. No memorando somente estavam metas e não medidas. Preferiste ignorar.

«Parem de escavar! Parem com esta loucura!»
Aposto que foi o que gritou o Charles Smith à porta do Freeport. Ah, também não falaram disso.

«Ninguém adivinhou esta crise»
Mentira. A Manuela Ferreira Leite que dizes que te apoiou (segunda mentira), fartou-se de alertar quem podia para a situação.

«Se eu soubesse que ia haver uma crise da dívida soberana nunca teria formado um Governo minoritário»
Formarias com quem, então? PCP e BE? Ó Zé, vai-te esconder e deixa-te de tretas.

«Nacionalizar o BPN foi o melhor a fazer tendo em conta a informação de que dispunha. Temia uma crise financeira sistémica»
Sim, claro, até porque a chafarica do BPN e a Lehman Brothers são quase a mesma coisa. Só falta o quase. Aliás, o quase falta em todas as tuas declarações.

«Quando perdi as eleições achei que era o momento de cumprir um sonho»
Levantar algum das Ilhas Caimão e ir passar férias a Paris? Também gostaria.

«Pedi ao meu banco um empréstimo para ir viver para Paris»
Poderias ter pedido emprestado à tua mãe. Aparentemente, teve dinheiro para acabar de pagar a casa. Ah, espera...foi uma offshore e tu não tens nada a ver com essas coisas.


Ó Zé Sousa, vai para o caralho.





Pronto, merda.

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- O que queres que te diga? Pronto, eu amo-te.

Também estou pronto. Vai à merda. Em todo o teu esplendor, com todo o meu carinho por desvanecer, letra por letra.

M pelas manhãs em que ainda estava acordado sem distinguir a noite do dia, o certo do errado e o teu rosto dos outros em que me tentava diluir.

E pelo exagero. Soluções que sugeriste, soluções que bebi e soluções que ninguém quis seguir. Exageros de medidas que não deixavam alternativas senão desistir.

R por rasgar. Rasgar de palavras, rasgar de rameiras e Romeiras e rasgar por rasgar por não haver nada mais senão uns rasgos de lucidez,

D de dar.

A de amanhã será outro dia. Poderá ser um Sábado ou um Domingo ou outro dia qualquer.

Mas, meu amor, continuarei a mandar-te à merda. E a amar-te.

Nem português nem inglês!

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Além de estar envolvida com o Medinos neste maravilhoso e belíssimo blog, eu tenho outro...de facto tenho 3. Um foi feito quando estava em Portugal e é de cortar os pulsos (não é de admirar, os 3 meses que passei em Portugal antes de voltar a terras de Sua Majestade foram extremamente difíceis), outro foi feito aqui (Londres) e e onde escrevo mais regularmente e o outro foi iniciado em Lisboa, publicado em Londres e não tem uso nenhum...era para ter...era para ser parte de uma ideia criativa para a criação de uma empresa...mas no entretanto percebi que de facto ser puta cibernética é muito mais divertido e deveras mais vantajoso monetariamente...Oh deus!

Dias atrás alguém que mora em Portugal refilou comigo por eu escrever em inglês! Ainda tentei explicar que neste momento é mais importante para mim que um maior grupo de pessoas me entenda do que só o nicho pertencente à terra onde nasci! Mas a pessoa nao quis saber. Amor à patria! Tenho uma coisa muita importante para dizer: em 3 anos vou pedir a minha identidade como sendo inglesa.

Acho que no passado já terei escrito sobre o que é para mim amor à pátria. A minha pátria é a minha mãe. Não existe ninguém no mundo que ame tanto. Tudo o resto são linhas que definem limites, as cores de uma bandeira, o hino nacional...

Martelado

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O Robert Fripp dizia que a música é o vinho que enche a taça do silêncio. Frase bonita e boa para pespegar no Facebook com um pôr-do-sol nas Ilhas Malvinas. Caso seja uma fotografia de 1982, ainda se tem o bónus de alguns fogos de artificio britânicos dignos de um edil madeirense.

O que o guitarrista dos King Crimson se esqueceu de dizer, talvez por não ter nascido numa terra de tasqueiros como eu, é que existem várias qualidades de vinho. E, talvez nos remotos anos setenta, a única coisa que o poderia incomodar seriam os esganiçados dos Bee Gees que, convenhamos e comparativamente ao presente, até eram muito jeitosos. Agora quase que parecia a Nelma Viana a escrever. A rapariga anda a fazer escola, sim senhor.

Gosto de vinho. Tinto, branco, cheio, às bolinhas, tudo marcha. Parece-me que o que eu gosto mesmo é de modificadores de consciência mas isso eu não confesso nem a um padre da paróquia mais remota de Santa Cona do Assobio. Até porque é mentira, não gosto nada. Gosto é de estar careta e a aturar gente parva num estado de lucidez total.

O que eu não gosto, e chegando aqui já parei de mentir, é de vinho a martelo. Ou seja e corrigindo o Fripp, a música é o vinho que enche a taça do silêncio excepto quando é untz untz. Nesse caso, a música é o vinho a martelo que enche a taça da paciência.

Mas há de tudo. Há quem beba o vinho martelado e há quem ouça música de martelos. Reparem na minha magnânima utilização da palavra música em vez de usar a palavra certa que seria algo tão simples como merda. Aqui poderão argumentar que há gostos para tudo, que até há quem leia o Tugaleaks e a Nelma Viana, e que, afinal, eu sou mas é mais um facho dissimulado a tentar cercear a liberdade de escolha dos menos cultos.

Pois...

Mas os gostos discutem-se. E, muito mais importante do que serem discutidos, os gostos educam-se. E, se acho tolerável um adolescente qualquer entupir-se de Blow e de Untz Untz, já num adulto me parece tão apropriado como dormir com um boneco do Noddy em vez de se masturbar com umas sessões da Aria Giovanni. Além de que, recorrendo novamente à sabedoria do povo, a liberdade tem aquele tal comprimento que acaba onde começa e coiso e tal, vocês sabem o resto.

Ora tenho eu um vizinho que, sendo da minha idade, acha que o recurso ao vinho a martelo lhe vai conferir uma diminuição das rugas e um aspecto mais jovial. Não vai. Vai somente torná-lo numa daquelas pessoas que optaram por parecer que estão com esclerose múltipla num estado avançado. E, como bónus, chatear os cornos ao pobre do vizinho que o único barulho que faz é quando o manda baixar a puta do Untz Untz. Mais uma vez, a historieta das liberdades.

Por isto tudo, eu não peço que o gajo lá de cima me abençoasse com uma vizinha sueca que só enchesse a taça de champanhe francês mas ao menos não poderia ser um gajo que, pelo menos, bebesse um vinhozinho do Lidl?

Não. Tinha que ser um carrascão a martelo da Adega Cooperativa do Untz Untz. Estou fodido.

Olha Deus, vamos ter umas continhas a ajustar se um dia eu for aí parar. Depois veremos se gostas quando eu trocar as harpas dos anjos por umas caixas de ritmos a repetirem a mesma merda para toda a eternidade.

Até aposto que vais pedir asilo lá nas profundezas onde o clima é melhor.

Se fosses mas é para o caralho...

Viriato Satélite

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Viriato, lisboeta de nascimento e sem terra por acaso, sempre gostou do passeio do 28. Cumprimentava a estátua do Fernando Pessoa, descia pela Calçada do Combro e parava para uma taça de tinto perto da Assembleia da República. Daí caminhava até junto ao rio e perdia horas em desleixada contemplação do Tejo que tantas vezes já tinha admirado.

Era um homem com a cabeça na lua, o que lhe tinha valido a alcunha entre os amigos de Viriato Satélite. Não se importava. Ele via algo de romântico nos satélites. Ele via romantismo em tudo. Bem disposto ria-se duas vezes, quando falava e quando timidamente se calava, assumindo aquele olhar vago e perdido que a alcunha tão bem descrevia.

Ao longo da vida, Viriato Satélite teve muitos cognomes e seria também, uns anos mais tarde, Viriato, o Homem Elástico. Habituado a agruras, nunca quebrava, dobrava, dobrava mas voltava à forma original, hirto, etéreo e a caminho do Tejo. Até chegou a ganhar muito dinheiro, a vender teflon na loja de um primo na Voz do Operário. Mas sempre elástico, sempre satélite, sempre a pensar no 28 e no rio.

E, como todos os homens terrenos de carne e osso, Viriato também se apaixonou. E também perdeu quem amava. O homem elástico que outrora dobrava, um dia quebrou. E pouco mais há para contar porque já todos esticaram até partir.

Deixou de ser elástico e ficou-se pelo satélite. A última vez que o viram, Viriato estava sozinho a perguntar ao Tejo:

- Achas que me consigo curar e voltar a ser elástico?

A saudade é isto e isto

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4h30 da manha. O telefone toca. Penso que é o despertador. O telefone toca outra vez. E outra vez. Som da mensagem. Desisto do sono. Agarro no telemóvel.

É ele. A espertina toma conta de mim, o meu coração salta-me no peito. Ligo? Claro que ligo. 1, 2, 3 toques, ele atende. Sorrimos com a voz.

4h40 da manhã e o meu cérebro activo está a tentar trazê-lo até mim entre palavras de sedução e promessas de um amor entre carnes que não se tocam há mais de um mês. Ele não resiste. Sinto-me deus.

A morada não é fácil de encontrar mesmo para o mais dos sofisticados "telefones espertos". Saio à rua só com uma camisola de lã comprida, cabelo molhado por um banho tomado à pressão, tento vê-lo no topo da estrada, continuo a subir para ver se o vejo. Liga-me. Está à porta. As minhas pernas começam a tremer mas corro como uma gazela corre de um leão esfomeado...neste caso...corro como uma gazela para um leão esfomeado. Consigo vê-lo agora. Corro mais e mais e salto-lhe para o colo, beijo-o. Tocamos narizes. Deus meu. As saudades que eu já tinha dos seus olhos azuis acinzentados. O perfume dele está misturado com o perfume de gin tónico e whisky. Adoro. Damos mãos. Ele fala-me da noite, de como perdeu o anel que mais gosta por estar a apaparicar uma senhora qualquer. Entramos em casa. É a primeira vez que ele está nos meus aposentos. Pergunto se quer um chá. Diz que sim. Ponho a cafeteira ao lume para ferver a água. Ele vem ter comigo e abraça-me pelas costas...Viro-me. Os nossos lábios encontram-se novamente. Como te quero. As minhas mãos entram na familiar luta com o cinto. "O chá?" pergunto entre mãos, o algodão encarnado dos boxers dele e os seus olhos semi-cerrados a preverem os próximos minutos."Pois. o chá!" Responde com o seu sorriso endiabrado. Guio-o pelas escadas. Ele vai tocando o meu rabo a cada degrau. Nunca ninguém me tirou a roupa com tanta rapidez e minúcia! Pele com pele. As sardas no corpo dele. Saudades. Os pelos no peito. Saudades. As pernas torneadas. Saudades. Eu juro que não gosto de pés...mas os pés dele. Saudades. Ele deita-me na cama e em vez dos preliminares, desliza para dentro de mim. Ficamos quietos. Ele sabe que me magoou. Ele sabe o quanto gosto. Os movimentos de rins começam, sinto o meu corpo derretido em mimos. As mãos dele empurram-me mais contra o colchão e consigo vê-lo a entrar em mim. Amo-te. Amo-te. Mas não te digo. Sinto cada centímetro, o calor começa a preencher cada poro da nossa pele. Empurro-o. Viro-me. Espeto o rabo para cima e afundo a cara na almofada. Sem contemplações. Ele entra em mim e geme, uma mão na minha boca. Da minha boca para o meu cabelo. A outra mão agarra-me a cintura. Sinto-o a preencher-me mais. Gemo e quanto mais gemo mais força ele investe em cada entrada. Deixei este mundo. Não vivo aqui. Vivo em ti. E tu vives dentro de mim, e vives mais. E mais. E mais. O corpo dele faz a ultima investida. Agarra-me com as duas mãos as ancas, deixa-se cair nas minhas costas e repete "Foda-se, foda-se, foda-se". Geme no meu ouvido. Inspira o ar do mundo. Entrelaça os seus dedos nos meus. Tenta sair de cima de mim. "não! quero o teu peso" digo, sem saber se consegui mesmo definir cada palavra. Ele descansa. Rimos.

Manhã. A cama escaldada e arrefecida. Ainda não foste e já tenho saudades tuas. Que merda!

Porque não!

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O mundo dos humanos é parametrizável em tudo desde a sua génese em que alegres homo habilis (em inglês gay homos) se comiam à canzana numa tentativa, aparentemente bem sucedida, de perpetuar a espécie.

Já nessa altura, calculo eu, os habilidosos acertassem os parâmetros da sua conduta de forma a serem parte duma tribo e, quiçá com um pouco de sorte, os reis da senzala. Perdoem-me o angolismo mas eu sou da Costa de Caparica e já é uma sorte eu não escrever em brasileiro. Além disso, como todos sabem, se alguém quer ter algum sucesso em Portugal, convém gritar a plenos pulmões que se lembra dos cheiros de África embora tenha saído de lá ainda como projecto nos tomates do pai. Eu, pobre oriundo de Lisboa, não me posso dar a esses luxos de hipócritas saudades do terceiro mundo e só me lembro dos eléctricos e do salão de jogos perto do Largo do Rato. Cheiros, só dos escapes dos automóveis quando ainda não existiam inspecções obrigatórias.

Mas parametrizei-me. Afinal de contas, também quero provar um pouco da caça da tribo e tenho medo de ser excluído da sociedade. No entanto, com maior ou menor medo, sei dizer que não. E se me perguntam porquê, eu, tal e qual uma criança que ainda não foi parametrizada, respondo:


- Porque não!


Porque não, porquê?” É preciso um porquê? Talvez porque não me apeteça, talvez porque seja a minha escolha, talvez porque eu ache, do fundo do coração, que são todos uma carneirada nojenta e que a espécie evoluiu dos homo habilis para os homo carneiris.
Marrem comigo à vontade, repito que tenho medo, mas marrem. Não vou perder o medo mas também não perderei a coragem de dizer mais uma vez:


- Porque não!


"És muito imaturo." Sou, sim. Talvez ainda por parametrizar. Talvez morra assim. Sem memórias falsas e sem me subjugar. Greves? A greve começa em abdicares do que a sociedade te convenceu que é necessário teres para ser feliz.

E, assim, em vez de gritar por revolta e greves eu grito:


- Abdica!


E, se me perguntares porquê, eu respondo:


- Porque sim!




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